terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Resenha #29 A Rainha Normanda Emma da Normandia, de Patricia Bracewell



Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, A rainha normanda conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.

Governando na época compreendida entre o rei Artur e a rainha Elisabeth I, a rainha Emma é uma heroína inesquecível cuja luta para encontrar seu lugar no mundo continua fascinante até hoje.

A rainha normanda, começa de forma um pouco esmagadora, com vários personagens apresentados e introduzidos dentro de um mesmo capitulo, alternando pontos de vista, e isso o torna um pouco difícil de criar um vinculo e  agarrar à história, e isso foi um ponto que comentei várias vezes no grupo de whastapp que faço parte. No entanto, isso resolve com o decorrer da historia  e ela se torna mais acolhedora. Bracewell também mostra alguma inconsistência (somente inicialmente) com uma tentativa quase forçados a ser excessivamente literária e descritiva, mas ela encontra um meio termo no decorrer do livro. O leitor sente a história ganhar vida e isso nos mantém virando as paginas.

A Rainha Normanda, retrata vários personagens, cada um tem sua personalidade e voz com amplo desenvolvimento e sem personagens excessivamente previsíveis. Bracewell permite que o leitor a descobrir as camadas e facetas referentes a cada personagem.

Com o desenvolvimento de cada capítulo, A Rainha Normanda, torna-se mais atraente e mais difícil de parar de ler. Isto  devido a Emma (o personagem principal) e sua força que cresce com a história; e também devido ao livro não ser previsível como muitos outros romances de ficção histórica. De fato, alguns momentos são muito crível e cru, causando até mesmo repugnância por sua brutalidade, mas que apenas demonstra quão convincente é Bracewell.

O livro,  tem um ritmo rápido e  fácil de ler, ele é rápido mas não é superficial. Por exemplo, o romance entre Emma e Atheslstan não é explorado profundamente ou o foco principal, mas tem um certo destaque, sendo que fiquei torcendo por eles.

A conclusão de A Rainha Normanda é forte e memorável, respondendo a perguntas suficientes para não deixar as pontas soltas, mas ainda abrindo o caminho para a continuação de Bracewell. No geral, eu teria preferido um olhar mais íntimo a Emma que foi ligeiramente minimizada devido aos múltiplos pontos de vista do caráter, mas ele foi delicioso e envolvente e me deixou ansiosa para o próximo volume.