quinta-feira, 30 de março de 2017

Isabelle, a loba da França


Aos leitores que nos acompanham e acessam ao blog regularmente, sabem que escrevemos a respeito de tudo relacionado à cultura. Sendo assim, a partir de hoje
iniciaremos uma série de reviews sobre quadrinhos europeusPara estrear em grande estilo, o quadrinho escolhido é mais do que excepcional. Resenharemos uma hq francesa chamada "Isabelle - La louve de France (Isabelle, a loba da França)", obra publicada no ano de 2012 a 2014 pela editora Delcourt - umas das maiores editoras franco-belga de quadrinhos - e concluído em dois volumes.


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"O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Grandes homens são quase sempre os homens maus, mesmo quando exercem influência e não autoridade, e, ainda mais, quando se acrescenta a tendência ou a certeza de corrupção pela autoridade”". (ACTON, L.).
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A história:

As relações entre os dois lados sempre foram tensas e corria risco de piorar ainda mais. Numa manobra auspiciosa, Eduardo II, o rei da Inglaterra, casou-se com a bela Isabelle da França, filha do lendário rei francês Filipe IV (também conhecido como Filipe, o Belo).


Eduardo II estava disposto a tudo para manter-se no poder, a fim de garantir que sua linhagem - Plantagenet - continuasse no trono inglês, além de resolver as tensões entre a coroa inglesa e francesa. Seu casamento com Isabelle serviu para tais fins. Ele nunca a amou, pois estava mais ocupado com seus inúmeros amantes e com os incontáveis conselheiros e deste conturbado relacionamento nasceram quatro crianças, entre elas o futuro rei da Inglaterra e França: Eduardo III.



As recorrentes humilhações não cessavam. Desprezada e vendo seu poder e legado político cada vez mais limitado, Isabelle resolve agir.

O despertar:

Naqueles tempos, as relações entre o rei Eduardo II e a família Despenser desagradava boa parte da elite resultando em inúmeras execuções e exílio por conta dos opositores. Contudo, a situação tornou-se insustentável, quando atentam contra a vida da rainha Isabelle. Consternada e tomada por uma força nunca visto antes, ela jura vingança.

Numa manobra extremamente arriscada, Isabelle consegue apoio de grande parte da nobreza (principalmente do Conde Roger Mortimer). Sendo assim, ao lado do filho Eduardo III e do Conde Mortimer, marcha até Londres, aniquilando a oposição e visando seu alvo principal: seu próprio marido e os Depensers.



O desfecho é maravilhosamente épico e com reviravoltas inimagináveis! Os Despenser são aniquilados, o rei Eduardo II é preso e assassinado cruelmente em sua cela. O trono é ocupado por Eduardo III.

Como rei, Eduardo III trata logo de condenar à morte o Conde de Mortimer, sob acusação de regicídio, além de enclausurar sua mãe no castelo de Norfolk até a morte. 
Anos depois, Eduardo III cobiça o trono francês, àquela altura sob tutela de seu primo francês, Filipe VI. O desfecho deste fatídico episódio culminou na sangrenta Guerra dos Cem Anos.

Conclusão:

Misturando elementos fictícios com eventos históricos reais, "Isabelle: La louve de France (Isabelle, a loba da França)" torna-se ainda mais especial. Apesar de relativamente curta, a obra desenvolve-se num ritmo muito bom e com um desfecho espetacular. Outro ponto a destacar é a qualidade da arte, simplesmente com desenhos e cores belíssimas (as imagens que ilustram a matéria falam por si só). 

Por fim, obras como essa merecem ser publicadas em nosso país. Lamentamos o desconhecimento da maioria esmagadora dos leitores brasileiros por quadrinhos europeus. No entanto, esperamos que usando este humilde espaço possamos contribuir para alguma mudança positiva.
Esperamos que gostem e aguardem as demais resenhas que estão por vi.
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